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Terminal de Contentores da Trafaria

por Duarte Cordeiro, em 11.03.13

 

Se dúvidas houvesse da total incapacidade demonstrada pelo Ministro da Economia e do Emprego e pelo Secretário de Estado dos Transportes e das Comunicações, o anúncio do novo Terminal de Contentores na Trafaria é a prova final de que não sabem o que estão a fazer no Governo.

Este anúncio é a demonstração do reconhecimento do Governo que a política económica levada a cabo até aqui é desastrosa e não nos trouxe a lado nenhum. Um Governo que desprezou qualquer tipo de investimento público que estava previsto, e até orçamentado, e decidiu parar tudo, mesmo o que comprovadamente melhorava a competitividade nacional, com grande prejuízo para o Distrito de Setúbal, vem agora anunciar um investimento, sem qualquer critério, de mil milhões de euros num Terminal de Contentores da Trafaria.

A primeira pergunta que qualquer pessoa faz, ao tomar conhecimento do projeto e do investimento, é: porquê um Terminal de Contentores na Trafaria? Não se questiona sobre a necessidade de investir no Distrito de Setúbal e em particular na Trafaria. Muito importante seria que se investisse naquele território e se encontrassem formas de gerar emprego numa terra e numa região que estão a ser prejudicadas porque se cancelaram vários projetos de investimento que estavam previstos como a linha ferroviária para Sines, o TGV, a terceira travessia, o novo aeroporto e muitos outros investimentos em equipamentos sociais. Será que este é o investimento mais racional e mais necessário para que a economia gere mais emprego?

Não só nos devemos questionar sobre o impacto que um novo terminal de contentores na Trafaria terá na restante atividade económica e portuária da Área Metropolitana de Lisboa, Distrito de Setúbal e Lisboa, porque pode tornar o transporte de mercadorias mais demorado e mais caro, porque a zona não está preparada para as cadeias logísticas se instalarem, porque a maioria das mercadorias, até para exportação, têm como destino a margem norte, porque agrava as externalidades ambientais negativas na zona com impacto no turismo da Costa da Caparica, como devemos constatar que o investimento tem o mero objetivo de substituir a atividade portuária de Lisboa, ou seja, não visa criar novos postos de trabalho e nova atividade económica, apenas substituir existente.

A decisão de libertar a movimentação de carga da zona de Santa Apolónia para dar outra dimensão ao Terminal de cruzeiros é correta, mas substituir toda a atividade portuária em Lisboa teria um impacto económico e no emprego imprevisível, porque não assegura a reabilitação urbana e dinamização económica nas áreas do porto, criando um problema ainda maior. Estamos a fazer experimentalismo económico perigoso e mesmo que tivéssemos 6% de desemprego e estivéssemos a crescer, só com uma demonstrada mais-valia económica é que se tomariam decisões com este grau de risco. Não admira por isso que as Câmaras das áreas envolvidas, Lisboa e Almada, bem como a Junta de Freguesia da Trafaria, estejam contra.

Se o Governo finalmente reconhece que é necessário investimento e que o Distrito de Setúbal foi fortemente prejudicado com as suspensões e os cancelamentos dos investimentos previstos então que retome alguns dos investimentos que estavam programados, começando desde logo por acelerar a ligação ferroviária a Sines. Há muito para fazer e não é preciso inventar.

 

(Artigo igualmente publicado no Portal Setúbal na Rede)

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publicado às 18:45






Filibuster, subs.

1. Utilização de tácticas de obstrução, tais como o uso prolongado da palavra, por membros de uma assembleia legislativa de forma a impedir a adopção de medidas ou a forçar uma decisão, através de meios que não violam tecnicamente os procedimentos devidos;

Filibuster, noun
1. The use of obstructive tactics, such as prolonged speaking, by a member of a legislative assembly to prevent the adoption of measure or to force a decision, in a way that does not technically contravene the required procedures;

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