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Ex-líderes da JS querem que o PS clarifique política de alianças

por Pedro Ângelo, em 20.04.13

 

 

Três ex-líderes da JS, Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro e Pedro Alves, defendem que o próximo congresso do PS clarifique a política de alianças, recusam entendimentos com a atual maioria PSD/CDS e querem uma solução à esquerda.


Estas posições foram assumidas pelos três anteriores líderes da Juventude Socialista (JS) Pedro Nuno Santos (2004/2008), Duarte Cordeiro (2008/2010) e Pedro Delgado Alves (2010/2012) em entrevista conjunta à agência Lusa, a uma semana do Congresso do PS.

Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro e Pedro Alves foram líderes da JS durante os sete anos de liderança partidária de José Sócrates, são amigos e conotados com a ala esquerda dos socialistas.

"O congresso será um momento muito importante para o PS definir matérias que ainda carecem de debate, por exemplo a política de alianças. O PS tem pedido a antecipação das eleições, o PS combate sempre para conseguir maioria absoluta, mas também é importante que clarifique com quem está disponível para governar", sustenta Pedro Nuno Santos, líder do PS/Aveiro.

Na política de alianças, Pedro Nuno Santos diz que nem sequer lhe "passa pela cabeça que o PS possa governar com o PSD e o CDS".

"Por uma razão muito simples: Um Governo de salvação nacional deve retirar o país do buraco em que caiu e isso só se faz contra a direita, contra o PSD e o CDS. Julgo que deveria ser muito claro que o PS não entra em governos com o PSD e CDS", salienta.

O deputado socialista Duarte Cordeiro considera que o PS decidiu "corretamente" apresentar uma moção de censura ao Governo e tem assumido um conjunto de ideias, "mas ainda está longe de apresentar uma solução global do ponto de vista do projeto político".

"Em alguns aspetos o PS tem de fazer mais, envolver mais, gerar mais confiança e isso passa pela necessidade de uma clarificação política, por ter a noção concreta sobre como, com quem e com que projeto se vai apresentar ao país", adverte.

Na perspetiva do ex-diretor da segunda campanha presidencial de Manuel Alegre, a prazo, é possível criar condições para entendimentos à esquerda.

"Se o PS tiver um projeto claro, tendo como objetivos a renegociação dos termos do ajustamento, parar com as políticas recessivas, estabilizar o desemprego, procurar folgas através da renegociação da dívida e de políticas ativas económicas para incentivar o crescimento, se estas políticas forem desenvolvidas, estou absolutamente convencido que não há espaço para o Bloco de Esquerda não suportar politicamente essas propostas. Não sei se o Bloco estará ou não em condições de apoiar um Governo PS, mas se o PS desenvolver este conjunto de propostas tornar-se-á muito difícil ao Bloco não apoiar", advoga.

Pedro Delgado Alves entende como "fundamental a existência de uma alternativa clara e de um discurso claro" no PS.

"Feito o trabalho de definição sobre o rumo para Portugal e para a Europa, a partir do momento em que o PS lidere o debate, depois a questão que se segue, referente às estratégias de aliança - e que é importante que seja colocada sem preconceitos em cima da mesa - deve ficar em aberto face a uma definição clara", defende.

Pedro Alves recusa que se coloque "um anátema na esquerda toda, como se fosse inimputável".

"Infelizmente, até hoje, nunca foi possível fazer o diálogo no plano da construção de um Governo, mas estamos perante uma emergência de tal ordem que a verdadeira responsabilidade do PS e dos outros partidos à nossa esquerda tem de exigir mais do que se construiu até agora. Os fantasmas do passado, os esqueletos nos armários, as histórias de partos difíceis da nossa democracia têm de ficar arrumadas no passado e temos de olhar em frente", afirma.

No espaço político para potenciais convergências, este docente universitário, inclui também setores progressistas sociais-democratas do PSD ou democratas-cristãos do CDS.

"Há sempre espaço para todos poderem colaborar num momento de salvação nacional. Não gosto de ser tremendista, mas o país nunca enfrentou um desafio como o que enfrenta hoje, com uma escalada de dificuldades no plano económico e a descredibilização dos principais agentes políticos", acrescenta.


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publicado às 20:45



20 comentários

De Guardiola a 21.04.2013 às 09:04


Sou votante socialista ainda antes destes "meninos" terem consciencia politica mas nunca votarei numa solução que ponha no poder os nihilistas oportunistas do BE e não sou menos de esquerda que estes novos irmãos marx. Nem é uma questão de esquerda, é, basicamente, uma questão de decência.
Podem formar a "grande esquerda" mas perderão o país. Depois podem todos candidatar-se à liderança do BE, quem tem dois lideres pode muito bem ter 3.

De Pedro Delgado Alves a 21.04.2013 às 15:06

Caro Guardiola,

Não vejo a necessidade de procurar desqualificar a opinião dos outros infantilizando-os e invocando pergaminhos de antiguidade. Acho que todos os socialistas têm direito à opinião e a ser respeitados em relação ao que defendem, sem ser acusados de indecência, de cedência a radicalismos ou de estarem melhor fora do PS. No limite, a argumentação ad hominem só enfraquece quem a ela recorre, uma vez que evidencia a eventual ausência de argumentos de fundo.

Mas não nos furtemos ao debate: da leitura da entrevista citada surge, acima de tudo, a necessidade de não excluir parceiros para o diálogo, num momento de particular dificuldade para o pais e em que a construção de soluções maioritárias só com o PS se afigura difícil e em que a direita se mostra radicalizada como nunca.

No entanto, os termos em que o debate se deve fazer também são claros: o PS deve procurar com boa fé a construção de pontes, mas a partir do seu programa e sem se descaracterizar. Trata-se de um exercício que necessitara de idêntica boa fé e disponibilidade por parte dos seus interlocutores, algo que nem sempre se tem encontrado. O caminho do diálogo à esquerda precisa também, e de forma igualmente urgente, de uma mudança de atitude por parte do BE, que demonstre a sua disponibilidade para o compromisso e para a cedência - algo que tem faltado decisivamente em momentos críticos. Há quem o queira fazer, mas que esbarra também na intransigência do PS para tentar provar a viabilidade dessa solução. Em termos objectivos, quem no PS e no BE não quer sequer ouvir falar em dialogo tem contribuído para o matar à nascença, partindo sempre para o ataque de quem o sustenta anatemizando-os como traidores.

Ainda assim, penso que o PS só tem a ganhar em quebrar a actual pescadinha de rabo na boca, assente num voltar de costas mútuo, que trava qualquer hipótese de diálogo construtivo, desafiando as forças à esquerda para o compromisso, e mostrando abertura para o efeito. Sempre que o fez, o radicalismo da resposta do BE que se seguiu custou-lhe a derrota eleitoral - veja-se o caso de Lisboa em 2009.
Já chega de sermos a única excepção europeia em que não é possível governar à esquerda. Não depende só do PS, mas depende também do PS, depende de continuarmos a olhar para o outro apenas como uma caricatura com a qual não se pode dialogar.

Finalmente, quanto a perder o pais, e ainda que tendo em conta que não são o barómetro decisivo, parece-me que todos os estudos de opinião são claros na rejeição de soluções que perpetuem o modelo gasto e destrutivo da austeridade e na aceitação de que os termos do nosso resgate , conforme apresentados e aceites pela maioria de direita, é que não colhem apoios.

Boa sorte a treinar o Bayern de Munique,
PDA

De Guardiola a 21.04.2013 às 21:14


Sinceramente não vejo nenhuma necessidade de o infantilizar nem de desqualificar a sua opinião, nesse aspecto acho que conseguiu um bom trabalho, como prova o seu lençol de generalidades sem qualquer densidade alem do jargão do blablabla do dialogo à esquerda meramente posicional em relação aos interesses do país. Nem uma eventual vitimização quase conseguida no 1º paragrafo... ainda assim obrigado pela resposta.

O Ps sempre tentou pontes à esquerda em diversas alturas, os resultados sabem-se quais são. Não convem partir para esse dialogo inconsciente do historico e numa quase subalternização ideologica, que é o que passa cada vez q leio uma entrevista de cada um de vós. Um imenso complexo de esquerda. Desnecessário e estrategicamente imprudente tendo em vista o fim a que se destina.Mas ok, pretensamente os politicos são os meus caros, eu sou só um treinador de futebol.

Depois, a melhor solução para o país pode até nem ser um dialogo à esquerda, não digo q o seja à direita ou ao centro, digo somente q o q sempre guiou o PS foi o serviço ao país e não em função de uma qualquer predeterminação politica revanchista, e tem, felizmente, esquerda suficiente (e aqui os creditos são em parte vossos e de outros como o João Galamba,etc..) para não precisar da cumplicidade de partidos totalitarios e sectarios.
Existe em vós uma interiorização de cedência que transmite um "não estar bem na propria pele" que me desencanta e não seduz grande parte do "povo" socialista, fique ciente disso e não o veja só como uma pretensa afronta ao seu ego ou um ataque às suas pretensões. Um politico tal como um treinador deve ser realista.

Por ultimo deixe-me agradecer os seus desejos de boa sorte à frente de tão prestigiada equipa alemã. Talvez lhe tenha escapado, no desejo de ser tão bem sucedido na sua ultima e mortal frase, quão importatante será um tipo como eu, espanhol e quase resgatado, demonstrar o meu saber e capacidade de trabalho perante uma tão dificil e arrogante povo. Nada q o meu caro possa fazer, infelizmente, enquanto confundir ironicamente, os planos e as competências.



De Pedro Delgado Alves a 22.04.2013 às 01:49

Caro Guardiola,
Descontado o início do seu segundo round com nova tentativa de ataque agressivo a quem está a tentar manter uma conversa razoavelmente civilizada, começa a sua argumentação por identificar nesta discussão da possibilidade de diálogo à esquerda como uma mera questão posicional, divorciada dos interesses do País. Nada do que escrevi ou do que consta do post analisado lhe dá elementos para isso, se alguma coisa, encontramos precisamente a demonstração do inverso: o diálogo à esquerda torna-se hoje mais relevante, na medida em que muitas das opções de política económica e de prossecução de políticas públicas no plano social com as quais vamos ser confrontados nos próximos anos têm aproximado as prioridades das forças políticas à esquerda, ao mesmo tempo que o consenso ao centro e à direita em torno do nosso modelo social se tem esboroado. E isto nada tem de blablabla, por muito que queira continuar a fugir à substância e a prender-se na desqualificação do interlocutor.

De facto, a evolução dos últimos dois anos de vida sob a Troika e seu memorando tem aproximado objectivamente, e não afastado, o PS daquilo que é sustentado mais à esquerda no que respeita à insustentabilidade do programa de ajustamento, à necessidade da sua renegociação e de exigência de uma outra abordagem por parte das instituições europeias. Com graus diferentes de exigência, de intensidade e até de radicalismo, numa banda larga que vai desde a mera discussão das maturidades até ao perdão parcial de dívida (e que para alguns, nos quais não me incluo, poderá até conduzir à saída do euro), os anos que têm passado são, pelo menos, de comunhão da urgência em salvar o modelo social que construímos nos últimos anos.

Seria desejável ir ainda mais longe, identificando outras áreas de partilha de fins? Em minha opinião (a tal vazia de conteúdo e pontuada por generalidades), claro que sim, em especial no plano europeu, enfrentando o desequilíbrios da construção da moeda única que tornam impossível a sustentabilidade económica das periferias, denunciando a consagração no texto dos tratados de soluções monetaristas redutoras que constrangem o confronto de alternativas nas políticas económicas (e de que o Tratado Orçamental foi um exemplo, em que o PS optou por uma leitura que não compartilhei quanto ao potencial do mesmo para ultrapassar a crise). É viável uma alteração destas no curto prazo? Evidentemente que não, não tenho ilusões quanto a isso, a própria família política socialista e social-democrata está longe de ter sequer percebido a urgência do debate de forma a permanecer relevante e coerente com os seus valores nos anos vindouros (o descalabro de Hollande ilustra-o sobremaneira). Agora isso não nos deve inibir de a colocar na agenda e impulsionar o debate, a partir da periferia se for o caso.

E ainda que o espaço de divergência continue amplo, quer na entrevista citada no post, quer na resposta ao comentário que deixou, penso que não poderia ser mais claro o papel central do PS na definição do programa que pode servir de ponto de confluência à esquerda. Longe de querer submeter o PS ao que à esquerda dele se exige, a leitura que faço e que penso ser partilhada por mais pessoas no PS e fora dele, é a de que o PS é que tem as condições de liderar esse caminho, de mostrar disponibilidade (e, igualmente, se confrontado por recusas intransigentes, de prosseguir autonomamente, como sempre o fez até hoje).

Devo igualmente voltar a sublinhar que estou plenamente ciente da dificuldade em estabelecer as ditas pontes e em concretizá-las. No entanto, a referida urgência nacional incomparável a qualquer outra a que assistimos até hoje em democracia exige-nos que o tentemos.

De Guardiola a 22.04.2013 às 09:39


O meu comentario não se prende somente com esta entrevista mas com as varias posições assumidas por vós ao longo do tempo, como é natural.
O dialogo à esquerda hoje não é mais importante do q o dialogo à esquerda há dois três anos atrás, alias, achava muito mais importante o dialogo nessa altura,e a "esquerda" preferiu alhear-se dele e aliar-se à direita para derrubar o governo, e pior, fazer com q ficassemos sem soberania para acudir aos mais frageis e evitar maior destruição do estado social.
Agora fazer a analise de dois anos de programa e concluir q existem diversos pontos de confluência à esquerda em vista da aplicação do programa da Troika, é no minimo risivel, porque toda a gente sabia q isto ia acontecer quando recusaram uma solução de ultimo recurso. Aqui não há inocentes.
Estrategicamente era o q essa a esquerda queria, poder alterar a relação de forças atraves das dificuldades das pessoas e tambem dentro do PS. Por isso não julgue que vai liderar alguma coisa, estrategicamente esta aproximação era previsivel e desejavel. Tudo conforme o plano. A sua liderança é meramente formal.
Tambem não considero q acordos ou aproximações feitas mais pelas circunstâncias q por objectivos comuns sejam suficientemente duradouros.


As questões que refere merecem hoje um grande consenso que ultrapassa a mera separação esquerda-direita-centro por isso não é um exclusivo de uma agenda de esquerda, e foi nesse sentido que referi atras que a discussão de qualquer problema do país deve forçar quem o analisa a sair dentro da sua grelha de conforto, seja de esquerda ou direita. Não existe o exclusivo de boas soluções.

Claro que o tratado orçamental não foi uma boa solução, mas poderia Seguro fazer diferente tendo em conta a sua posição e as responsabilidades do partido, naquela altura?
Poderia agora renunciar a qualquer compromisso se não tivesse cedido algo de inicio?
Claro q o tacticismo não é a melhor via mas ele estava a tentar encontrar uma estrategia de saída para o PS depois da assinatura de um acordo para que foi empurrado, por, e nunca é demais recordá-lo, não haver apoio no parlamento a uma solução menos dificil e dolorosa.
E só dou mais atenção a este ponto não porque seja especial apoiante de Seguro mas porque encerra uma lição, a de que o poder e a liderança são um equilibrio constante entre o possivel, o desejavel e o que deve ser sacrificado.

De Pedro Delgado Alves a 24.04.2013 às 00:37

Estamos de acordo quanto ao facto de o problema da necessidade de soluções à esquerda estar longe de ser novo, e quanto à abismal irresponsabilidade de quem ajudou a precipitar a queda do governo anterior e, consequentemente, tornou inevitável o resgate (não sendo o PEC IV necessariamente uma garantia de que nos safávamos, era pelo menos uma alternativa varias vezes superior). Contudo, isso não permite concluir que a necessidade de dialogo à esquerda não é hoje maior do que há dois anos: a situação de emergência reforça de facto essa necessidade. E sabendo perfeitamente a dimensão de responsabilidade do PCP e do BE na definição do quadro com o qual temos agora de trabalhar, entendo que nao podemos ficar presos nesse passado e fechar para sempre a porta. Volto, no entanto, a dizer o que já disse por duas vezes: o PCP esta fora da equação e tem de facto uma abordagem de quanto pior melhor, e o BE está preso entre a opção de táctica de nao descolar do PCP e o medo de entrar numa dialogo com o PS que o descaracterize. Sobra muito pouco espaço, bem sei. Mas o PS só tem a ganhar em procurar dialogar com esse reduzido espaço.
E, apesar de mais uma vez concordar quando diz que há quem noutras áreas políticas fora da esquerda também tenha por evidente que o modelo do memorando é o essencial do problema, não retiro dai, porém, neste momento, qualquer possibilidade de encetar um dialogo com vista à mudança, uma vez que estamos a falar de sectores sociais-democratas e democratas cristãos no PSD e no CDS que estão nas franjas dos respectivos partidos. Também aí o bloqueio é significativo.
Onde discordo mais substancialmente é numa implícita subalternização que penso detectar no que escreve, especialmente evidente no plano económico, quanto à actualidade da divisão esquerda-direita. Se é certo que as respostas curtas no plano nacional exigem o tal consenso amplo de que fala, no plano europeu é fundamental assumir a ruptura com a leitura monetarista dominante. Para esse efeito, dificilmente encontramos, mesmo nos sectores críticos à direita, quem tenha disponibilidade para acompanhar esta leitura. Não há exclusivo de boas soluções, como dizia, mas nao podemos continuar subjugados ao monopólio das más...

De Pedro Delgado Alves a 22.04.2013 às 01:54

Se quisermos enveredar pela sua ideia de um diagnóstico de complexos à esquerda ou na relação com a esquerda, não deixam de ser elucidativas as suas palavras quando de uma pincelada só arruma toda a esquerda no lote dos totalitários e sectários, simplificando a leitura de uma realidade complexa, como se desde as pessoas que se mobilizam no Congresso das Alternativas, passando pelo Bloco de Esquerda, a Renovação Comunista, o PCP ou os independentes de esquerda que militaram por estes espaços e que hoje se sentem órfãos, tudo fosse o mesmo lote de alucinados totalitários deslumbrados por Mao, Estaline e Enver Hoxha. Não tenho ilusões quanto à possibilidade de construir uma solução governativa com o PCP, sei que está fora do reino do concretizável. Agora esforçar-me-ei para encontrar espaço onde penso que a possibilidade existe para procurar construi-la – em parte, penso que há no BE (e fora dele mas até há pouco tempo na sua área política) quem o sustente. E se reler a notícia, verificará que fiz questão de sublinhar que nos sectores sociais-democratas do PSD ou democratas-cristãos do CDS também se encontram caminhos para o diálogo.
Os exemplos históricos a que alude são naturalmente úteis para perceber a dimensão das dificuldades, mas não provam necessariamente apenas a sua tese. As tentativas de diálogo à esquerda, tanto redundaram em sucessos claro, como a experiência autárquica de 12 anos em Lisboa, a conjugação de esforços nas plataformas de despenalização da IVG ou os sucessos eleitorais em todas as presidenciais até 2006, como deram azo a casos de insucesso eleitoral, como o das últimas eleições presidenciais. A leitura do passado brinda-nos com exemplos suficientes para ilustrar as duas perspectivas. Decorridos 39 anos sobre o 25 de Abril e alterados completamente os dados do problema, já chegou a altura de sermos capazes de definir os novos termos em que esta conversa pode ter lugar. Pode voltar a falhar, mas pelo menos que não seja a mesma conversa, com os mesmos vícios, das últimas décadas.
O que importa é, neste momento, verificar da existência de condições para definir prioridades comuns (a manutenção do Estado social que temos, a recuperação do crescimento económico e do emprego, a discussão de outra Europa) e capacidade de ultrapassar as intransigências de parte a parte (que, como sublinhei, se encontram quer no PS, quer no BE).

De Guardiola a 22.04.2013 às 10:09

Eu não arrumei toda a esquerda, digo que PC e BE são partidos de genese totalitaria, que se manifesta no seu funcionamento interno.
De resto tambem considero que uma aliança de esquerda que não tenha o PC não é uma aliança de esquerda. Pensemos o que pensarmos, o PC é incontornavel numa aliança à esquerda.Quanto aos elementos que refere, e sem querer desqualificá-los, lembrar-se-á que o PS sempre conseguiu integrar independentes de esquerda, com Guterres e com Sócrates. Por isso não vejo que o dialogo à esquerda alguma vez tenha deixado de ser feito e de que este seja diferente, talvez em grau, veremos.

Alias o PS recentemente lançou um apelo a coligações à esquerda nas autarquicas e viu-se o resultado. Claro mais claro não há.

De Pedro Delgado Alves a 24.04.2013 às 00:44

Também aqui nao partilho da leitura: o PCP optou por colocar-se de fora do dialogo da esquerda, e temo que possa ser irrecuperável no curto prazo. Isso não deve inibir a procura de consenso onde ele é possível, se o for. O BE é que, perfilhando precisamente essa ideia de que ou é a 3 ou nada feito, é que está a agrilhoar-se à intransigência do PCP. O cenário das autárquicas resultou quase integralmente deste jogo - em Lisboa ou em Caminha, por exemplo, onde foi ensaiado, e bem, pelo PS.
A capacidade de integrar independentes de esquerda, por seu turno, não é suficiente para fazer as vezes de uma estruturada conversa de cooperação entre partidos, por um lado, nem os termos em que ocorreu no passado são transportáveis para o actual contexto (guterres nao tinha BE quando fez esse caminho, e Sócrates fê-lo já com um impacto bem menor porque num contexto de um BE em ascensão - nenhuma das variáveis hoje se reproduz).

De Joe Strummer a 25.04.2013 às 14:49


O BE, ao contrario do PC, tem um sentido utilitario dos compromissos. É uma amalgama politica não confiavel. A maioria das pessoas q o habitam têm uma cultura anti-poder e grande parte alinharam nas piores campanhas ad hominen contra um lider socialista, e estarem ou não numa fase de crescimento não importa, o q importa é o caracter. O caracter em politica é importante e a crise do país deve-se mais a problemas éticos do q a outra coisa. Estou farto de diletantes de esquerda que têm resposta para tudo mas q nunca sujaram as mãos e que nunca viveram as consequências das politicas que advogam. O BE até hoje não provou nada politicamente, e se provou, foi uma enorme irresponsabilidade.
Mas claro, tem direito a falhar, como inumeras pessoas do PS antes de si.

De Pedro Delgado Alves a 25.04.2013 às 20:35

A irresponsabilidade, a falta de capacidade de por a mão na massa é precisamente o problema do BE que identifico em inúmeros comentários anteriores, que representa a corrente ainda dominante quanto a política de alianças e que trava o dialogo da parte do BE. Já a questão dita de caracter, não é o BE diferente de qualquer outro dos partidos que alinharam na campanha de suja difamação de um líder socialista, em que todos se esmeraram com idênticos empenho. Isto é, o 'bicho' BE é nesse aspecto um 'bicho' como os demais, confiável ou nao na dimensão de quem o lidera. Em si, nao é argumento que demonstre a impossibilidade de conversa. O outro aspecto, esse sim, condiciona o sucesso de qualquer hipótese de colaboração, porque tem a ver com a marca genética de protesto que o BE (ainda) nao abandonou. Basta olhar para os Verdes alemães e concluir que essa marca não é inultrapassável.

De Joe Strummer a 27.04.2013 às 13:10

Exacto, mas eu não defendo uma aliança com a direita, para q fique claro.Tanto no vosso caso, mais à esquerda, como no caso da ala mais liberal, defendo q o PS deve ter uma solução de poder própria e independente. Bom congresso

De Pedro Delgado Alves a 22.04.2013 às 01:56

Lendo as suas palavras, parece o Guardiola estar mais preocupado do que eu com aquilo que o povo socialista pode pensar do que eu penso. Não me importo de ser avaliado pelo o que penso, ainda que seja para ser maioritariamente confrontado com uma opinião diferente. Conheço muitas pessoas no PS que partilham da leitura que faço das coisas, outras tantas que dela discordam. É essa a dinâmica da democracia, são as regras que conheço e que respeito. E, face à restante esquerda, que agora também me dou ao luxo de criticar, foi aquilo que sempre marcou a diferença no PS – nunca venceu uma lógica de pensamento único e ninguém que tem isto presente olhará para quem, como eu e outros poderá pensar de modo diferente, como alguém que não está bem na sua pele e que se sentiria melhor noutro partido ou noutro local. Aparentemente, quase parece que o que lhe causa mais confusão é haver quem no PS pense e aja mais à esquerda e se continue a sentir em casa no PS, como eu e tantos outros nos sentimos. Tenho direito à minha opinião, divergente por vezes, confluente na esmagadora maioria das vezes, e a continuar a ser socialista, como o reconheço a quem, mais próximo do centro ou perfilhando uma leitura dita liberal do socialismo, sustenta a sua.

Antes do momento da decisão de qual dessas visões, ou de qual o compromisso entre as várias visões, vai representar o rumo que o PS escolhe para o seu futuro e para o do País, impõe-se o debate e a troca de argumentos que permitem chegar às conclusões. Com um Congresso à porta, é isso que importa fazer e que continuarei a fazer por aqui e por outros lados, independentemente do carácter por vezes desagradável e pessoalizante que se vai imprimindo por parte dos interlocutores menos bem-dispostos.

Finalmente, não queria transmitir nada de mortal no meu último comentário, foi uma tentativa vã de desanuviar uma conversa que poderia ser útil e proveitosa, lançando uma farpita de dimensão menor à (generalizada e legítima) prática, tão cara às caixas de comentários de blogs, de fazer aumentar o grau de agressividade e acinte conforme diminui o risco de ser identificado. Mas ter de explicar a ironia tira-lhe a utilidade toda…

De Guardiola a 22.04.2013 às 10:27

Os meus comentarios não são previos mas posteriores a essas questões de liberdade interna e o seu direito a pensar mais à esquerda ou mais à direita, etc (como lhe disse "conheço" o PS há muito tempo e nessa altura era mais à esquerda do q possa imaginar)...por saber que tem essa liberdade é que eu fiz os comentarios que fiz, o facto de julgar o contrário é que é aflitivo.

Ah! Por vezes a ironia não passa seja quando é recebida ou devolvida.
Tenha um utilissimo Congresso.

De Pedro Delgado Alves a 24.04.2013 às 00:50

Finalmente, vai-me desculpar, mas está a tentar emendar a mão e rescrever o ponto de partida desta conversa, que, no seu comentário inicial, culminava precisamente com a conclusão de que o nosso espaço seria no BE, sublinhando depoisque estaríamos a mais ou desconfortáveis na pele de militantes do PS. Aflitivo sim é que insinue que um debate interno num partido como o PS só poderá terminar com a saída de quem eventualmente nao vê as suas posições adoptadas.

De Joe Strummer a 25.04.2013 às 15:05


Fiz-me perceber mal. O q eu pretendi dizer no comentario anterior foi q quando me dirigi a si nunca tive como ponto de partida o facto de poder ou não poder defender no Ps posições mais à esquerda ou mais à direita e que fosse por causa disso que eu acho q você ou alguem merece ou não estar no PS. Isto é, a caricatura é sua não minha.

Quanto ao resto o meu comentario inicial foi retorico, mas penso exactamente o mesmo, acho-vos mais confortaveis com muitos elementos ideologicos do BE do q com a opção social democrata do PS. Estão no vosso direito, não tenho é q concordar com isso.

De Pedro Delgado Alves a 25.04.2013 às 20:46

Quanto à discussão sobre quem caricaturou quem, deixo para quem eventualmente queimar as pestanas a ler esta conversa a retirada de conclusões sobre os sentidos possíveis da frase.
Quanto ao resto, três notas breves apenas.
A primeira convidando-o a identificar quais sao então esses aspectos em que nos afastamos da opção social-democrata do PS, porque penso que radica no erro de tomar tomadas de posição sobre a gestão da crise da divida com o que se pensa sobre muito mais aspectos do programa do PS e do BE, onde claramente a minha identificação se faz com o primeiro e nao com o segundo.
A segunda nota, à boleia da primeira, para que se sublinhe que ha aspectos das opções governatIvas do PS dos últimos anos que também pouco ficam a dever à social-democracia, pelo que nao estar alinhado em relação as mesmas dificilmente traduzirá um desvio, antes pode representar precisamente o inverso, uma vontade de reencontro com a matriz social-democrata do partido.
Finalmente, a terceira nota, para evidenciar que, se ha elementos na ala mais à esquerda do PS que partilham pontos de visto com a ala mais à direita no bloco, perdoe-se a dupla simplificação, ela apenas é demonstrativa da existência de zonas de convivência programática que poderiam ser exploradas. Nao permite concluir, nem que a esquerda do PS deveria saltar para o BE, nem que, para quem desenvolve raciocínios paralelos em relação ao BE, que a sua direita deva saltar para o PS. Isso sim, regresso ao mote inicial, seria olhar para os partidos como monólitos ideológicos, tornando-os menos interessantes e dinâmicos do que se impõe.

De Joe Strummer a 27.04.2013 às 14:34

Desculpe ser assim.

1º paragrafo -Sim, quanto à discussão é melhor.

2º paragrafo - Quais aspectos? E em q condições foram tomadas as decisões?
Esta-se a referir à social-democracia europeia ou ao governo Socrates (ah! finalmente, a critica). Do que eu vi e vivi nada mais longe da verdade a não ser um chavão bloquista A 3ª via etc...que se repete mais por incapacidade de um partido totalitario de perceber o mundo onde vive do q pela capacidade de apresentar soluções. Uma posição defensiva . A social-democracia visa a reforma e atenuação do capitalismo não é um dogma.Cometeram-se erros? Claro. Só quem nunca nada fez e foge do poder como um cobarde não comete erros. Detesto essa retorica panfletaria, dispa a camisa faça qualquer coisa, depois diga-me onde errou, e ao assumir o seu erro em vez de apontar sempre o dos outros talvez consiga perceber em si um politico.

3º permita-me q lhe diga sem acrimonia, não faça de mim um "anjinho".

Bom Congresso.



De Paulo Alexandre a 06.07.2014 às 14:55

37,5% dos ex-líderes da JS que apoiam Costa têm as suas companheiras como assessoras da Câmara de Lisboa a ganhar mais de 41 mil euros por ano. Ver notícia do Correio da Manhã de 5 de Julho.
Familiares e as namoradas dos deputados: Duarte Cordeiro, Marcos Perestrello, Sérgio Sousa Pinto, Pedro Nuno Santos, ..... tudo no albergue da Câmara de Lisboa.

Estas pessoas têm todo o direito a desenvolver a sua actividade profissional, mas à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.

Isto é um escândalo, e até agora não teve um desmentido: Esta é uma utilização abusiva dos dinheiros públicos.

Fazer politica para o país e não para grupos de seguidores, disso já tivemos que chegue!

De Pedro Delgado Alves a 16.07.2014 às 15:02

O facto de as pessoas visadas trabalharem há anos na CML, antes mesmo de terem relações pessoais com os visados, ou mesmo o facto de haver quem já não trabalhe na CML e já não tenha relações pessoais com os visados é um detalhe que certamente passou despercebido a este excelente trabalho de "jornalismo". Assim como a utilização de valores anuais brutos de remunerações para dar impressão de regabofe, quando corresponde apenas ao valor de tabela de remunerações de membros de gabinetes.
Para além da afirmação torpe e miserável que o trabalho em causa é uma utilização abusiva de dinheiro público, como se as pessoas em causa não trabalhassem e se limitassem a esbanjar fundos públicos. Surpreendente e digna de manchete, de facto, uma notícia em que se dá nota de que há assessores do titulares de cargos eleitos pelo PS que são também, pasme-se, do PS....

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Filibuster, subs.

1. Utilização de tácticas de obstrução, tais como o uso prolongado da palavra, por membros de uma assembleia legislativa de forma a impedir a adopção de medidas ou a forçar uma decisão, através de meios que não violam tecnicamente os procedimentos devidos;

Filibuster, noun
1. The use of obstructive tactics, such as prolonged speaking, by a member of a legislative assembly to prevent the adoption of measure or to force a decision, in a way that does not technically contravene the required procedures;

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