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O preço da ignorância...

por Pedro Delgado Alves, em 11.01.14

 

Já nem se esconde, nem se sussura em reuniões à porta fechada. A agenda de implosão da escola pública e de recuo na aposta no ensino para todos é assumida e está aí em todo o seu despudorado esplendor, pela mão da Juventude Popular, sempre alerta para as necessidades de todos os jovens.  

 

Não devemos estranhá-lo. Afinal, insistir em 12 anos de escolaridade é de facto um disparate, o que têm o jovens a ganhar com mais qualificações? Isto está tão fácil de arranjar emprego, o País tem resultados bem acima da média dos seus parceiros Europeus e da OCDE em frequência do ensino secundário e superior, somos hiper-competitivos e temos professores bem a menos do que precisamos. Até é de estranhar que só agora estes patrióticos promotores do desenvolvimento se tenham lembrado de acabar com este regabofe educativo.

 

E, repare-se, é uma proposta muito bem fundamentada, invocando-se precisamente a "liberdade de aprender" enquanto "direito fundamental de cada pessoa" para recuar na obrigatoriedade da escolaridade (desde que se leia, apesar de tudo, "de cada pessoa que consiga pagar"). 

 

Andámos a estudar acima das nossas possibilidades e agora, graças ao ajustamento purificador que temos o privilégio de atravessar, podemos voltar a ser tão ignorantes como éramos nos tempos em que imperavam os valores tradicionais, em que cada um sabia o seu lugar e em que toda a gente escolarizada sabia as estações do caminho-de-ferro de Benguela. 

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publicado às 18:33



6 comentários

De Manel a 11.01.2014 às 22:34

Do meu ponto de vista, uma das maiores tragédias da crise foi o aumento da segregação no acesso à educação pelo nível económico. Nos dias de hoje para alguém do interior com menos posses voltou a ser impensável estudar no ensino superior devido às exigências económicas feitas aos estudantes. Ou seja voltamos à forma de seleccionar os alunos que existia antes do 25 de Abril, estudava quem tinha posses.

De Baptista a 12.01.2014 às 13:38

Tem toda a razão, mas só agora é que repararam, no retrocesso da democracia, só os ricos é que estudam e os outros são mão de obra barata.

De José a 11.01.2014 às 23:00

O Manel vive em que país?

De Ana a 12.01.2014 às 07:51

O Manel vive em Portugal o José se calhar é que não. Assisti durante a minha licenciatura a cortes brutais nas bolsas sociais, um número considerável dos meus colegas não sabia se poderia prosseguir até ao final do curso. Primeiro cortaram no valor total da bolsa, depois tiraram-nos o valor do alojamento e por fim o passe, muita gente não consegue comportar esses custos e se arranjarem um part-time a bolsa é cortada na totalidade porque a pessoa já tem rendimentos próprios (isto aliado ao aumento anual das propinas). Calculo que actualmente esteja ainda pior. Presentemente há duas formas de se conseguir frequentar o ensino superior como estudante a tempo inteiro: ter dinheiro para isso ou ser extremamente pobre para poder receber todos os apoios, pois aqueles que à vista do estado não são ainda pobres o suficiente foram excluídos nos últimos anos.

De Manel a 13.01.2014 às 18:01

eu vivo e estudo na faculdade em Portugal.

De Atento a 17.01.2014 às 21:57

Lá porque o José não consegue ( ou não quer) vêr o que se passa á sua volta não significa que não se esteja a passar nada...

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Filibuster, subs.

1. Utilização de tácticas de obstrução, tais como o uso prolongado da palavra, por membros de uma assembleia legislativa de forma a impedir a adopção de medidas ou a forçar uma decisão, através de meios que não violam tecnicamente os procedimentos devidos;

Filibuster, noun
1. The use of obstructive tactics, such as prolonged speaking, by a member of a legislative assembly to prevent the adoption of measure or to force a decision, in a way that does not technically contravene the required procedures;

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