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Miró não é cocó, totó!

por Nuno Félix, em 05.02.14

Criou o CPAI (Clube Português de Artes e Ideias) e depois passagou pela vereação do agora preso Isaltino de Morais... o roteiro de um deserdado da sorte em busca do seu lugar ao Sol, melhor ainda se à sombra de alguém mais luminoso do que o sombrio reflexo da sua própria imagem. Compreende-se que, para quem queria ser reconhecido pela cultura, não seja facil ser confundido com um vendedor de auto-rádios da Praça de Espanha. Mas à rectidão de um caminho difícil preferiu o redondo dos óculos de massa com as lentes fundo de garrafa que lhe emprestam aquele ar de totó social-democrata bem à moda de Braga de Macedo. Terá feito as contas à (in)cultura laranja e ao que esta dá aos poucos cultos que a servem? Lá chegaremos.

Primeiro bateu à porta do PS de Guterres, naquele discurso mole e coração amanteigado, a sua férrea persistência vingaria ao primeiro golpe, mas a paixão de Tonecas era outra, e como todos sabemos, na fila para esse peditório o PS já tinha verdadeiros intelectuais (e artistas…) que chegue. O seu coração socialista, assim bateu entre 97 e 2000, foi traído e logo se liberalizou. Bateu à porta dos vários PSD´s, onde qualquer pseudo qualquer coisa era imediatamente bem vindo.

Em 2001, ainda não tinham metido o Pacheco Pereira no bolso, o Santana Lopes já tinha a sua Marina Mota, e ele escolheu ser (ou foi escolhido para...) consigliere cultural na família oeirense do  D.Isaltino. Mas às primeiras ameaças de que o Estado de Direito também vigorava pela Linha logo B(f)úgio. Tem méritos e qualidades pessoais, caso contrário jamais sería Secretário de Estado da Cultura (vide Miguel Relvas...), mesmo que o seja sob coordenação do mais inculto dos Primeiro-Ministros. É determinado, inteligente, perspicaz, pragmático e servil, qualidades inatas para um Secretário de Estado sem programa de governo ou orçamento para o aplicar. Talvez por isto mesmo não hesite em vender anéis com os dedos se necessário for. Para não voltar para Goa, mesmo que na mala diplomática, vale tudo, afinal de contas a maior parte da colecção Miró não vale uma chamuça.

Agora "back to basics", aquele tipo sagaz que viu a oportunidade, criou a sua própria organização (CPAI) onde era presidente, tesoureiro, secretária e faxineira, para ter um palco só para si, não é ele mesmo a personificação do "empreendedorismo social" do "bater punho" à Relvas?! Recorrer à manobra e à mais estranha das alianças para pertencer onde não tinha lugar (CNJ-Conselho Nacional de Juventude) por troca com a "facilitação" do voto não é da práctica parlamentar mais moderna e ainda recentemente "referandada" pelas bancadas que suportam a maioria?! Vivêssemos nós ainda no 24 de Abril e o jovem empreendedor cultural seria perfeito estandarte da imperial Mocidade Portuguesa, tivesse retornado para um Portugal comunista e ostentaria com orgulho o crachá de "pioneiro" exemplar.

A ambição acrítica, mata o espírito e transforma paulatinamente o jovem empreendedor num ente acrítico como se quer que ele o seja. Hoje na sua aquiescência cega é o antídoto perfeito para a virulência da inovação, para rebeldia da criatividade, para a cultura da memória…  

Festejará em breve o dia da libertação da troika e da alienação do património cultural e quando a festa acabar irá trabalhar para quem melhor lhe pagar. Como ex-Secretário de Estado da Cultura dificilmente será convidado para presidir à Lusoponte ou ao Banif, mas como leiloeiro da Christie's não conhecerá as dificuldades que ajudou a infligir ao comum dos portugueses.

Os nossos filhos ouvirão um dia no recreio da escola:

"- Olha ali um Miró, totó!" 

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publicado às 12:07



3 comentários

De Luis Carvalho a 05.02.2014 às 13:46

Conheci o Jorge nas iniciativas do CPAI. Na minha ingenuidade nunca vi o CPAI como uma ante-camara de nada, mas sim uma Associação cultural que era isso e apenas isso. E lá conheci o Jorge.O jovem "determinado, inteligente, perspicaz" e, acima de tudo, simpático. A minha aventura cultural esgotou-se numa mísera menção honrosa de um concurso literário de poesia. Eu poeta, imaginem! Fomos cruzando os nossos destinos de tempos a tempos. O Jorge tem qualidades e defeitos. Como eu. Como o Nuno. Como todos. O Nuno conhece-me minimamente e sabe que sou alheio a manobras, esquemas e a alianças políticas de oportunismo. Por isso nunca serei secretário de Estado, e ainda bem. Mas o Jorge não foi o único a chegar a Secretário de Estado. Muitos outros lá chegaram, com mais ou menos oportunismo. Alguns com muito mais, até no nosso partido, certo Nuno? O Jorge tem defeitos, que porventura se agravaram com a política. Mas para mim o Jorge será sempre o Jorge, que já o era antes de SEC e o será depois de ser SEC. O Jorge meteu-se nisto por opção, até por ambição legítima. Falámos no dia dessa sua decisão. Elogiei-lhe a disponibilidade. Avisei-o do que aí vinha. Falamos de tempos a tempos. Falámos há uns 10 dias. Sempre amigos, acima de tudo amigos.

De Nuno Félix a 05.02.2014 às 15:23

Luís Carvalho foi para mim uma honra trabalhar contigo, sem nos conhecermos previamente sempre encontrei em ti alguém com um profundo conhecimento dos "essencias" da política, que eu, pelo meu lado, teimo em não aprender. A cima de tudo, ambos prezamos antes mais as pessoas. Tu que tens uma relação pessoal com JBX e achaste por bem dar a tua opinião, defendendo-o do ataque que lhe faço em tom algo jocoso devo admitir. Admito que só o faço porque nunca construí com ele qq tipo de relação, eu era um puto no seio do CNJ qd ele já era um veterano, eu fui espectador quando ele era um protagonista. Na minha pureza de então ele pertencia aos maus, e assim o recordo dele até os dias de hoje. Já tu, no momento em que nos cruzámos, estás confortavelmente na companhia dos poucos justos em que tropecei durante o tempo em que me envolvi em actividades políticas várias. É sempre um prazer discordar de ti!

De Nuno Félix a 05.02.2014 às 15:24

Luís Carvalho, conheci o Jorge no Conselho Nacional de Juventude, por lá andou e muito penou para que ao "seu" CPAI fosse dado o estatuto de "organização observadora". Para as restantes organizações de pleno direito do CNJ era claro que o CPAI era uma organização "one man show". Para que se saiba, uma organização para fazer parte do CNJ tinha que ser antes de mais uma associação cujo principal objecto social fosse a juventude na promoção de uma qualquer das suas vertentes e ter abrangência/representatividade de âmbito nacional. Como poderíamos equiparar o CPAI, que não era uma organização juvenil, da qual apenas conhecíamos o seu presidente e umas quantas actividades na região de Lisboa com organizações com a dimensão de um corpo nacional de escutas por exemplo?! Qual era a motivação do presidente do CPAI em forçar a sua entrada no CNJ? Mas o CPAI tinha muitas aliados dentro do CNJ, curiosamente era bastante bem tratado pelas organizações de carácter político partidário dentro do CNJ vulgo "jotas", em particular pela antiga JS. Também não me passou ao lado o tipo de actividade do CPAI dentro CNJ. Como toda a gente que passou por lá sabe, o CNJ era o interlocutor oficial da juventude portuguesa com o poder político (nacional e internacional), foi para isso que António José Seguro a criou quando ainda era secretário-geral da JS. Ora, por inerências várias, o CNJ propiciava a quem o representa-se protagonismo e viagens como nenhuma outra organização de juventude. Era muito curioso ver quem aparecia pela Rua do Forno de Tijolo (antiga sede do CNJ) nos momentos exactos em que se decidia quem "aparecia". Ora o CPAI, o insignificante CPAI, era aquela organização de tal forma inócua com um presidente simpático como dizes e bem, que se voluntariava sempre para a dificil tarefa de assumir o protagonismo que as grandes organizações disputavam entre si, a bem da paz no seio do CNJ… Assim que JBX deixou de precisar do CNJ o CPAI quase que desapareceu do CNJ.

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Filibuster, subs.

1. Utilização de tácticas de obstrução, tais como o uso prolongado da palavra, por membros de uma assembleia legislativa de forma a impedir a adopção de medidas ou a forçar uma decisão, através de meios que não violam tecnicamente os procedimentos devidos;

Filibuster, noun
1. The use of obstructive tactics, such as prolonged speaking, by a member of a legislative assembly to prevent the adoption of measure or to force a decision, in a way that does not technically contravene the required procedures;

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